domingo, 28 de fevereiro de 2016

Dia 975- Presente para o marido!

Senta que lá vem a história...
Já lhes disse outro dia que tive extensa influência musical em minha casa, mas diferentemente do meus pais e irmãos, não possuo nenhum talento para música (Meu pai toca um pouco de sanfona, dedilha bem o violão e sabe tocar pandeiro; Minha mãe tem voz muito boa, é afinada, mas não grava uma música inteira e inventa letra; Meus irmãos tocam violão e cantam bem; Minha irmã sabe dançar). 
Talvez por prêmio de consolação herdei de todos eles os muitos, muitos discos (além dos meus próprios das Paquitas, todos da Xuxa, Trem da Alegria, Menudos e Kaoma), eu sei, os meus eram o de menor qualidade... eu era criança, pois entendam... 
Deixaram todos comigo porque afinal o que se pregava na Bahia era que os discos não íam voltar mais, ultrapassados!
Guardei de lembrança e sem uso porque o nosso toca discos estava sem agulha e eu não achava para comprar em parte alguma, bati perna certa vez por todo Pelourinho, onde me indicavam e nada.
Um dia, belo dia... Belo que nada, dia que me traz gosto amargo até hoje e revira meu estômago, inventei achando que fazia bom negócio em vende-los todos para ter um desconto no carreto de mudança, quando minha grana era curta e eu era uma moça independente que tinha saído da casa dos pais para projeto solo (era meu sonho ter minha casa antes de casar).
Tudo isso para dizer que foi a pior venda de minha vida. Dei quase de graça (e nem é por casa do preço), mas joguei fora toda o registro musical da família e com ele um pouco da nossa história. As capas dos vinis eram cheios de dedicatória das ex dos irmãos ou pretendentes ou amigos dos meus pais e parentes em época de natal ou aniversários.
Quando chego ao Rio, encontro inúmeras feiras de vinis e muitos lugares para comprar os toca-discos. Deprimi. Deprimi por longos anos.
Disse aqui que não tinha coragem alguma de comprar um toca discos porque afinal a dor do arrependimento ainda lateja em mim.
Até que nesse ano como quem não quer nada, estimulei o marido a comprar numa feira livre um disco do Stevie que ele não encontrava o cd para comprar.
Ele relutou, porque afinal... escutar aonde???Mas acabou comprando! Foi o incentivo!
Dei- lhe de presente: O toca discos!! Chegou hoje!!!
Assim né... vocês entenderam o dei- lhe!
Bom, é para ele, foi pensando nele e eu juro mesmo porque no fundo, meus amigos, não me acho digna de ter um.
Mas como o que é dele é meu e vice- versa... eu assumo que ganhei também indiretamente um toca- discos.
Mas toda essa postagem não é para falar da minha compra, não, pois juro!
Era para falar de algo muito mágico que aconteceu com isso tudo.
Há muito poucos dias, disse ao meu consorte que a maior dor de todos os discos que eu deixei para trás, era um que se chamava “Chôro no céu”, que pertencia ao meu pai. Ouvíamos todo o tempo em casa, ele passou para fita e escutávamos nas dez horas de viagem de Salvador a Brumado repetidamente e gostosamente, sem enjoar. Esse disco continha a trilha sonora da minha infância.
Domingo, marido passeava no bairro e foi numa feira dessas e deu de cara com???
Fiz as pazes com o Universo!
E a noite virou um tal de tira esse, agora coloca esse, espera que agora é a minha vez de colocar o disco, quer o lado A? Misturada as lembranças das falas entre os irmãos, presente e passado se confundindo... Tem que começar pelo lado A, porque sim, porque eu quero, na minha casa se fazia assim...prefiro som assim, não gosto de digital não, porque demorei tanto para comprar isso...ai meu Deus vou chorar por causa desse disco, ai meu Deus tô chorando, ai meu Deus como faz para parar de chorar...que saudade do meu pai, quero ir logo para Brumado, vou ligar para minha mãe amanhã cedo para contar, posso botar no meu facebook? Espera, não pule a música, eu estava escutando, coloca devagarzinho para não arranhar, ahh é automático? Ahh do meu pai, não era assim não. Podemos ter aquele de Caetano de cueca? Já temos o cd com as músicas. Ahhh tá... lembra do disco da Xuxa que tocavam de trás pra frente e ouvia a mensagem do diabo, lembra? Era assim mesmo a história? Acho que era! Foi numa bobagem dessas, que minha mãe queimou meu Fofão... eu gostava do Fofão... será que também vão voltar a vender o Fofão? 
Mais infantil que nunca, desejo- lhes boa noite!


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