Um apelo aos amigos que criam meninos e meninas!
Para esse fim de domingo triste ainda sem Game of Thrones, vou-lhes contar história muito bonita e incomum: A história de um homem muito sério e severo que teve seis lindos filhos e era tão bravo que todos eles temiam seu pai.
O pai era um trabalhador brasileiro muito caprichoso, que saiu do pequeno interior que morava e trabalhava quando percebeu que lá não iria atender ao seu ambicioso projeto de proporcionar mais cultura e melhor qualidade de vida para a esposa e filhos.
A esposa quis ficar, olha só, tinha ela lá toda sorte de ajuda de seus familiares com suas crias. Mas ele disse que casou não para viver longe de sua mulher e filhos e que sim, todos iriam juntos! E foram.
Todos cresceram sob regras rigorosas de refeições sempre juntos; dizer para onde iria e ir exatamente para onde disse ter ido; tirar boas notas; respeitar todas as pessoas; jamais responder ao mais velho, ainda que o mais velho seja apenas um ano de diferença; ter a consciência que professora é como se fosse a mãe que está na escola, portanto deviam o mesmo carinho e respeito (e deve ter sido por essa regra que todos os filhos desse nobre senhor eram sempre os mais elogiados de toda escola); chegar na hora determinada ( e essa sob pena de apanhar se não cumprida); ajudar a mãe e o pai; pedir sempre para sair (independente de ter dez, 18, 23 ou 30 anos se estiver dentro da casa). Meninos ou meninas, a regra era para todos.
Um belo dia, a mãe soube que o segundo filho andava de namoro com duas belas garotinhas (que danadinho!). Contou ao pai que chamou o filho na primeira oportunidade. “Soube que o senhor tem duas namoradas. Dou-lhe vinte e quatro horas para decidir-se com quem deseja namorar sério. O senhor tem duas irmãs e certamente não gostaria que fizessem elas de bobas, nem pode dar esse mau exemplo. Filho meu não brinca com filha de ninguém. “
O rapaz levou um susto. Não queria ele ficar com ninguém. Era apenas uma brincadeira.
O pai no dia seguinte, disse-lhe que eles dois e a mãe iriam na casa da mocinha que ele não queria nenhum compromisso. Lá chegando, chamaram os pais da moça e disseram que o filho não tinha mais autorização para visita-la, pois não queria nada sério com a filha deles. E que gostaria que a filha deles tampouco fosse atrás do filho.
Recado dado, o pai disse ao filho que ele não iria noivar naquele mesmo dia com a escolhida porque já estava atrasado para ir trabalhar.
O rapaz desistiu da segunda também.
A década era 80. Madonna era Beyoncé do momento.
A lição serviu para todos da casa.
2016: Todos os filhos estão fazendo 30 anos com suas companheiras porque um pai decidiu não criar moleques, nem rapazes indecisos.
Mas há muito que esses rapazes andam com suas próprias pernas e livres a fazerem o que quiserem.
Mas os rapazes fixaram a educação radical de um pai e de uma mãe que o lema sempre foi o do respeito. Nunca ninguém soube de qualquer derrapagem da índole desse pai, nem dessa mãe. Nem o pai e nem a mãe aceitam brincadeiras machistas, mas estão longe de ser feministas. É que esse pai e essa mãe estão pouco se lixando para o bom senso social e as convenções de uma época seja ela moderna ou não. Esse pai e essa mãe conhecem bem sobre moral, bons costumes e valorizam muito isso, mas eles priorizaram o mais simples ditado de todos os tempos: “NÃO FAZER COM OS OUTROS, O QUE NÃO DESEJA PARA SI MESMO”. Essa para eles é a lei para manter a ordem e o amor entre os membros de uma família e toda a sociedade fora deles.
Hoje foi mais um dia de consolar uma amiga em prantos ao descobrir que seu (ex) amado traía-a com a coleguinha do trabalho (Traição-clichê).
O que afinal que as minhas amigas fazem de errado? O que faltam nelas? Ou tem de sobra? Engordaram demais? Não fazem direito? São chatas? Não são cultas? Ah, não trabalham? Não tem fortuna? Ahhh que deve ter uma explicação! Não é assim que dizem?
Mas quando são elas que traem?
"Ora, ora, ela não poderia ter feito isso, um homem tão bom! Dava-lhe de um tudo! Uma vagabunda, puta".
"Ora, ora, ela não poderia ter feito isso, um homem tão bom! Dava-lhe de um tudo! Uma vagabunda, puta".
Concluo: Em nossa sociedade, a culpa é sempre da mulher!
Inclusive das que julgam.
Lamento muito por essa sociedade que prioriza formar não mais homens, como os meus pais fizeram com os meus irmãos.
Será que estou sendo radical? Posso até escutar alguém dizer: Não seja exagerada, tem rapazes de boa família que traem.
Eu vos respondo: Ser desonesto em minha casa nunca foi opção.
E desonesto, meus amigos, tú que bates no peito a sentir-se um homem bom porque paga impostos e todas as contas em dia, mas é um bom filho da mãe com a namorada, os pais, os avós, com os irmãos... você não sabe nada sobre honestidade.

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