segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Qual nossa missão?

Durante um ano inteiro, uma sucessão de acontecimentos emocionantes, tristes, muito alegres, decepcionantes, absolutamente satisfatórios ocorrem com todos nós.
Acumulam-se dentro de nós, vidas, histórias de uma porção de gente que não conhecemos, são as contadas na TV, as lidas na internet ou contadas num encontro qualquer. Quem nunca foi confidente de um desconhecido? Com a minha profissão, isso é uma frequente. Além disso, somam-se as provações dos amigos mais próximos que atingem-nos diretamente. Eu tenho insônia, algumas vezes viro noite no telefone com alguns deles até que a vida tome rumo e descansamos para uma próxima.
Acontece da vida dar um susto de vez em quando. É uma relação de amizade que outrora julgava de confiança e zás, um engano.
Acontece de um parente que temos profundo amor agir com tamanha ingratidão que fere a alma deixando ferida aberta daquelas que mais demora a cicatrizar.
Uma fala dita em hora errada pelos outros ou por nós.
Juntam-se aí cada período de Tensão Pré Mentrual e cada insegurança feminina.
Os dias que o calor em excesso ou o frio atuam nas nossas ações, reações e emoções.
As histórias de família que marcam a nossa existência...
Quantas pessoas ignoram todos esses sentimentos e jogam para debaixo do tapete a fingir que não precisam ser olhadas e que ser feliz é preciso?
Afinal, “o que passou, passou...” e um dia, quando achamos que temos controle de tudo, eis que surge uma enfermidade: Uma gastrite, uma hérnia, um tumor, um mioma, uma virose, um processo alérgico, um problema cardíaco, uma enxaqueca frequente, uma azia pela manhã, a sensação de empazinamento no fim do dia, uma tosse que não passa, uma coceira na garganta, uma dor do joelho, dores que irradiam para o corpo inteiro, caspas que não há shampoo que dê jeito.
De tão diárias, as enfermidades passam a ser vistas como: NORMAIS.
E os problemas que as geram vão permanecer até o fim dos seus dias porque não há coragem para encará-las. “Melhor deixar como está”, assim não causa mais dor, nem sofrimento...
E eu vos digo- tampouco LIBERTAÇÃO.
Nenhuma doença, menor que seja, é normal.
Estamos aqui para travar nossas próprias batalhas. E essas batalhas não são entre si com o vizinho, o ex-amigo, o parente chato ou inescrupuloso.
A batalha é com os nossos sentimentos contraditórios, nossos defeitos insistentes, nossa apatia com algumas pessoas e alguns assuntos, nossa covardia diante nossos medos, nossa preguiça em ir à luta, nossa intolerância com as adversidades, com os nossos próprios defeitos e os defeitos alheios, nossa resistência às mudanças, nossa insistência nas relações que nos fazem mal, nosso receio com que o futuro nos reserva, compreensão com nossos erros, perdão por eles, nosso descrédito de que existe uma cortina tapando nossos olhos de que há uma vida muito mais feliz quando largarmos toda nossa cegueira.
Quem nunca passou ou passa por muitos momentos assim?
100% das pessoas.
Cada pessoa desse planeta possui desafios muitos e uma única missão: Enfrentar a si mesmo, vencer as resistências, descobrir as potencialidades, melhorar o que já é bom e já no processo desse desafio, não apenas na conclusão deste, descobrir que a felicidade está quando buscamos ser felizes. Simples assim. Nós que complicamos.
Nossa missão?
1. Agradecer a Deus pela oportunidade dessa vida, rezando todos os dias.
2. Cuidar da comida que ingerimos, tomar cuidado com o ar que respiramos, cuidar do que ouvimos, do que sentimos e do que enxergamos porque tudo isso é alimento para alma e nossa forma de zelar pelo corpo físico, instrumento e presente dado por Deus para realizar nossa missão no processo reencarnatório (Do contrário, tornamo-nos suicidas em potencial).
3. Perdoar para sermos perdoados. Lembrem que perdoar não é conviver, é não pagar o mal com o mal. É não se vingar.
4. Ajudar o outro tanto quanto pudermos. Pode-se começar com um elogio. E se não há elogios a fazer, o silêncio já é caridade. Lembrar que o segundo mandamento de Moisés não é amar a si mesmo, mas amar o próximo! A começar pelos de casa (Como é fácil amar os de fora...ser bom para quem vemos de vez em quando e não conhecemos os defeitos e não há julgamentos).
5. Lembrar que a missão de vida não é tornar-se rico, nem se destacar na profissão, ter o emprego dos sonhos, nem formar-se em médico, engenheiro ou coisa alguma, nem gerar um filho, nem plantar uma árvore, escrever um livro ou comprar um carro. Isso são consequências e conquistas naturais de nossas ações, não missão. Missão é fazer o bem, sem olhar a quem, assim mesmo nesse clichê. A missão de cada um nessa existência é acordar todos os dias com a sensação de paz de que ontem foi um dia que ajudamos alguém, que hoje procuraremos fazer mais por nós e pelos outros e amanhã outra vez e outra vez, até percebermos que somos felizes, enfim!
Porque ao ajudarmos o outro, o bem vem em direção a nós. Já dizia Chico: ” Fora da caridade, não há salvação”.
Cuidem-se e atentem-se as suas ações, em especial no carnaval.
Paz e Luz!

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